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![]() Quem quer que acredite que o mundo, do jeito que está hoje, precisa do auxílio delas, e de muitos outros seres elementais, naturais ou não, que possam vir em nosso auxílio. Estes, entretanto, ainda são muito poucos, ao passo que aqueles que preferem abraçar o lado material da vida são Legião. E, por tal adjetivo, estamos mesmo nos referindo aos demônios, conforme os livros sagrados nos alertam. O grande problema é que a Legião em questão acredita piamente que é ela a detentora da razão, ao passo que nós, os que acreditam nas fadas, somos aqueles que devem ser exorcizados do corpo da Mãe Terra. Não ria, pois as coisas são exatamente assim. Ainda. Parece que o contingente formado por nós está aumentando, mas a progressão aritmética é muito insípida frente à progressão geométrica do lado de lá, e tudo indica que este mundo não terá tempo de ver uma volta às raízes, quando o Matriarcado reinava, quando os deuses e deusas do Paganismo habitavam as florestas, nos quatro cantos do planeta. E as fadas com isso? Bem, nada, ora! O que elas podem fazer quando os seres que controlam o leme da nave onde viajamos, de carne e osso, querem porque querem que as coisas continuem como estão, até que desapareçamos do mapa, mais ou menos como aconteceu à Atlântida e à Lemúria antes? E nós, que nelas cremos, o que podemos fazer? Bem, continuar acreditando, tentar entrar em contato com elas e ver se uma dada hora aquele pessoal da outra dimensão não decide reabrir as portas para o reino de Faerie e nos deixar cruzar até lá, e lá fincarmos raízes. Mas, veja bem, não estamos dizendo que isso seria o melhor para nós, os que crêem. Shakespeare já deixou bem claro que, enquanto Auberon rumina pensamentos a respeito do que fazer para o bem de seu reino, sua companheira Titânia gosta de raptar meninos humanos e transformá-los em escravos, e isto durante mais de um século. Aliás, ainda segundo Shakespeare (ou terá sido Neil Gaiman?), Robin Goodfellow, o Puck, decidiu abandonar Faerie e ficar por aqui, atormentando as pessoas. Vai ver, toda essa crise que vem tomando conta do planeta seja obra dele. Brincadeiras à parte, este que vos escreve acredita nas fadas e nos elementais (e é amigo do peito do Puck!), mas está longe de cerrar os olhos e jurar de pés juntos que todos estes seres são absolutamente belos e bondosos. Deve ter um bocado de fada 'P' da vida por aí, com o jeito como tudo vem se passando tanto acima quanto abaixo do Equador (até pouco tempo, a sujeira se concentrava abaixo deste, mas parece que as coisas estão ficando pretas acima dele, também). Pois se "o conhecimento de Deus, que transcende por igual todos os movimentos do tempo, habita na simplicidade de Sua presença" (Boécio), o mesmo não se pode dizer das fadas e dos elementais. Sinceramente, eu não acho que estes sejam infinitos e onipresentes, observando tanto nossos pecados quanto nossas virtudes, eu acho é que eles estão preparando alguma para dar uma 'rasteira' naquelas pessoas que os deixaram de lado há muito tempo. Bem, uma facção destes seres, pelo menos. Porque também acreditamos que existam as fadas e os elementais de luz, seres ainda donos de inocência suficiente para acreditar que o amor tudo pode e vai acabar prevalecendo no fim. John Lennon também acreditava nisso, até que um imbecil munido de uma arma tornou muda sua verve. Um imbecil que não acredita nas fadas, certamente! Se você, como nós, acredita nelas e nos elementais da Natureza, deve gostar de uma literatura diferente. Talvez, mesmo que adulto, ainda leia histórias em quadrinhos, especialmente aquelas que trazem alguns ensinamentos, não, melhor algumas lembranças, pois ninguém está 'numas' de ensinar nada hoje em dia. Conhece Swamp Thing, o Monstro do Pântano? Lá nos idos de 1985, 86, um arco de histórias intitulado Gótico Americano tocou em questões como as que levantamos acima. Uma irmandade do Mal, a Brujeria, faz uso de determinado acontecimento no universo de personagens da DC Comics, à época, para insuflar a crença no Mal, nos vampiros e lobisomens, nas usinas nucleares contaminando todo mundo, etc. e tal, para destruir nada menos que o Paraíso. O Monstro do Pântano é um elemental que, nascido a partir de um ser humano morto em condições de imenso sofrimento, vai fazer frente aos canalhas e salvar o lado espiritual das coisas, enquanto outros super-heróis tomam conta do lado material. Ao fim e ao cabo, chega-se à conclusão que o conceito de Mal não pode existir sem o Bem como contraponto, e vice-versa. E qual a novidade disso? Portanto, enquanto uma flor cresce nas encostas do Inferno e uma serpente venenosa percorre as florestas do Paraíso, as coisas estarão equilibradas. Mas quando um demônio pisotear esta flor e um anjo decepar a cabeça da serpente, aí sim, as coisas vão ficar pretas! Quer dizer, nada pode ser tão branco, nem tão negro. E se é assim que as coisas são, isso quer dizer que Deus e o diabo, e deuses, deusas e seres elementais não são tão poderosos assim, a ponto de transformar todo esse cenário. É aquela velha história: a professora de catecismo nos diz que todas pessoas nascem maculadas pelo sexo, e a gente diz que não é pecador, pois nunca fizemos mal algum. "Claro que fizeram, vocês nasceram do pecado!", afirma ela. Aí a gente cresce um pouquinho e começa a achar que o pecado em questão é bom à beça! E, blam! Nos tornamos pecadores conscientes, diferente da inconsciência que era o cerne de nossa existência enquanto éramos crianças. Então 'tá', a gente era feliz e não sabia. E daí? Agora temos essa consciência e tal sabedoria não melhora em nada nossa permanência no lado de cá da existência. O lado 'real', segundo os materialistas. O que fazer? E eu é que sei?! Sou apenas fruto do pecado, mas vou dar uma pista de como eu respondo esta pergunta a mim mesmo. Voltando a falar de John Lennon, desta vez de Lennon e McCartney na verdade, eu sugiro que todos ouçam mais uma vez tanto Penny Lane (McCartney) como Strawberry Fields Forever (Lennon). Na primeira, no lado de cá da existência, "há um barbeiro que mostra fotografias de todas as cabeças que ele teve o prazer de conhecer". Na segunda, lá no reino das fadas e dos seres elementais (e tenha em mente que essa é a minha opinião, bien sûr), "está ficando difícil ser alguém, mas tudo bem, isso nem me interessa tanto assim, também". Penny Lane jamais será Strawberry Fields Forever. Lá na primeira, só o material pode oferecer ao ser humano alguma coisa de tangível para que ele dê sentido à sua vida (e eu duvido muito que Paul estivesse pensando em algo assim quando escreveu a canção). Em Strawberry Fields "nada é real" e irrealidade é exatamente aquilo que procuro, atualmente. (Sei lá se John pensou nisso quando 'bolou' a letra, mas é bem possível). É o que eu tenho para lhes dizer a respeito das fadas e dos seres elementais. Por enquanto, pelo menos... * Ilustração: "Monstro do Pântano" © DC Comics, desenho de MirCaran
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