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Não tenha a menor dúvida! Onde quer que a inveja e o chamado 'olho grande' se manifestem, lá estará o (ou os) vampiro(s). Isto, claro, é um fenômeno que só se dá conosco, seres humanos, possivelmente o maior erro da Criação, mas é melhor nem nos atermos muito neste assunto. Com certeza você, ou alguém conhecido, já sofreu este tipo de vampirização. Bem, há os morcegos vampiros, também, aqueles mamíferos que são conhecidos como ratos voadores e que se alimentam do sangue de rezes, cavalos e outros animais, à noite, quando seus donos não podem ver, isto quando têm donos, claro. Não há notícias dignas de nota de seres humanos terem tido seu sangue sugado por eles. E, claro, existem os vampiros famosos, como o conde Drácula, ou Mircalla, criação de Sheridan Le Fanu que precede o famoso conde de Bram Stoker de alguns anos, sem contar criações mais recentes, como Vampirella e aqueles vampiros chiques, como o Lestat de Anne Rice, entre outros. Todos estes são inofensivos, pois só existem no reino da fantasia. Entretanto, a crença em vampiros ainda é muito forte em países da Europa, aliás, em qualquer país, pois é a estes monstros e outros demônios que as mães e avós recorrem para fazer com que seus filhos e netos não saiam de casa, à noite. Enquanto escrevemos este artigo (dois de novembro de 2005, El Dia de los Muertos), estamos dando adeus ao Halloween, que foi comemorado no dia 31 de outubro. Um canal de TV a cabo aproveitou para exibir vários filmes de terror dos Estúdios Universal, dos anos 30, que se tornaram clássicos, tais como Drácula, de Tod Browning, que imortalizou Bela Lugosi, Frankenstein e A Noiva de Frankenstein, ambos de James Whale, através dos quais outro ícone do cinema de horror conheceria a glória, Boris Karloff. Teve também The Wolf Man, The Mummy, Son of Frankenstein, Son of Dracula, The Invisible Man, entre outros menos conhecidos e mais thrash. Se você não assistiu, não se preocupe. Ano que vem tem mais Halloween e mais clássicos do cinema. Tudo isto, assim como o próprio Halloween, hoje faz parte do show business e enche as carteiras de um bocado de empresários espertos! Mas o que está por trás da festa do Dia das Bruxas, dos vampiros, lobisomens e outros terrores, ultrapassa o mundo das finanças e da moda. A crença nestes seres se constituiu em um verdadeiro sinal de pânico na Europa, a partir da Idade Média, mas não está limitada a esta. Na verdade, os vampiros constam dos anais de historiadores dos tempos da Grécia Antiga, da velha Roma e, com certeza, de outros locais, anteriores a estes, como o Egito dos faraós. E o que isso tem a ver com um estudo sério do esoterismo e das artes arcanas? Tudo e mais um pouco! Um bocado de gente recorre a terreiros de umbanda para afastar maus espíritos que estão cruzando seus caminhos e, neste caso, não nos referimos ao conde Drácula nem ao Lobisomem. Qualquer ser humano, mesmo que não esteja consciente disso, pode exsudar inveja pelos poros, quando vê alguém que possui algo que, na sua opinião, deveria ser seu. Mesmo que tal pessoa não pense mais nisso, o sentimento existiu, portanto, se transformou em ondas eletromagnéticas que podem muito bem atacar o indivíduo invejado e atrapalhá-lo um bocado em sua vida. Quer vampirismo pior do que este? Infelizmente, sentimentos baixos não fazem parte do dicionário apenas de determinadas pessoas, mas de todas, de um modo geral. Antes de alguém recorrer a um pai-de-santo para livrá-lo de alguma baixaria, outro alguém procurou tais entidades, justamente para fazer o mal em questão. É aquela velha história: por dinheiro, vale tudo. Não seria surpresa você vir caminhando por aí e ver uma placa com, mais ou menos, estes dizeres: "Mestre fulano de tal. Lançamos feitiços e conjurações. Retiramos estes, também. Preços de ocasião. Aproveite!". Acha engraçado? Reflita melhor, então. Ser gente, fazer parte da humanidade, não é uma tarefa fácil, tanto mais porque nenhum de nós pediu para vir a este plano. Mas, agora que estamos aqui, temos de viver de acordo com a realidade que se nos apresenta, mesmo que ela seja inacreditável, às vezes. E tentar adiar o máximo de tempo possível a hora de ir para ainda outro plano, o qual não temos a menor idéia do que seja, apesar de algumas desconfianças se fazerem presentes, aqui e ali. Se é verdade que a alma está sujeita, eternamente, a um infindo círculo de nascimento e morte, reencarnando-se sem parar, como os hindus e os espiritistas acreditam, então os motivos para se desesperar não são de todo absurdos. Vampiros são conhecidos, entre outras coisas, por viverem séculos e séculos, alimentando-se de sangue (às vezes, não humano), atormentando os vivos onde quer que se instalem. Mas será que esta fantasia não ocultaria um quê de real? E se existirem seres humanos diferentes, que não morrem, ou que têm uma extensão de vida bem maior que a maioria, sabe-se lá por qual razão? O celacanto é um peixe que se acreditava extinto, junto com os dinossauros, há cerca de 60 milhões de anos, mas encontraram um vivo, não faz muito tempo. Os antigos egípcios acreditavam na teoria da metempsicose, ou seja, na reencarnação eterna de uma alma, através dos séculos. Conheço, e bem, gente que se sente tão familiarizada com a arte e os objetos do Egito antigo que podem muito bem ser almas cuja primeira vida se deu naquelas paragens, há milhares de anos atrás. A lógica cartesiana pode afirmar que isto é absurdo, mas pode provar? Não, nem o contrário pode ser atestado, a não ser através de comunicações com os espíritos, que também não são aceitas como prova pela ciência e filosofia oficiais. Aliás ninguém, até hoje, provou que vampiros só existem na imaginação de gente como Stoker e Le Fanu, ou nas superstições de povos muito antigos. O conde Drácula fictício foi inspirado pelo príncipe Vlad Drakul, da Valáquia, figura histórica conhecida e cruel até a ponta dos cabelos. As coisas que ele fez, como o empalamento dos inimigos até a morte, são bem piores do que sugar o sangue de indefesas moçoilas. A ponto de ter um monstro fictício inspirado em sua figura, muitos séculos depois. O que, convenhamos, não é motivo para ninguém se orgulhar de ser humano, sabendo que tem como semelhantes seres desta categoria. Há pessoas boas e más, sempre houve. Algumas destas últimas se voltam para o lado oculto das coisas, e que os deuses nos livrem de cruzar com elas por aí. E há aquelas que também mergulham no ocultismo, mas com o objetivo de fazer coisas boas (só que o Inferno está cheio de boas intenções, diz um ditado!). E há, claro, aquelas que se entregam às artes arcanas sem se preocupar em fazer bem ou mal, apenas para satisfazer sua própria curiosidade e ver onde tudo aquilo vai levar, no fim. Estas últimas têm, pelo menos, a vantagem de não invejarem nada nem ninguém, portanto não vão vampirizar quem quer que seja. Mas e as outras categorias?
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