Márcio
Salerno
Giancarlo K.
Schmid
Henrique G.
Wiederspahn
Magali P.
Gracio
Edna
Vezzoni
Maria Ana
Labate
LINKS




O ESOTERISMO E AS BARREIRAS POLÍTICO-RELIGIOSAS

O Brasil vem passando por um período muito profundo de crise. O problema maior, claro, está no seio mesmo de nosso governo e a corrupção, apesar de bem mais exacerbada atualmente, não é privilégio do atual partido que ocupa o trono, apesar de esta ser ainda mais malévola por vir da parte de quem a imensa maioria do povo brasileiro acreditava não ser possível deixar que se desenvolvessem focos corruptores.

Política à parte, uma outra crise se abate sobre uma parcela da população ainda não muito espalhada por nossas terras, apesar de dia-a-dia mais e mais pessoas se debruçarem sobre o mundo oculto e esotérico, algumas delas dedicando-se a trabalhos voltados para o mesmo (e é preciso, sim, ter muito cuidado em separar o joio do trigo, quem é sério de quem é oportunista). Os tarotistas, radiestesistas, especialistas em curas através do uso de pedras preciosas, cores, imposição de mãos, etc, ainda encontram barreiras muito fortes impedindo um desenvolvimento maior desta área, apesar de a mesma se recusar a ser eliminada.

Este desaparecimento pode ocorrer. O Brasil foi um país de maioria católica-apostólica-romana que, hoje, corre a largos passos para se tornar outra coisa, ou seja, uma terra dominada pelos cultos evangélicos, com um deles surgindo a cada esquina de nossas capitais e cidades do interior com uma velocidade estonteante. O cristianismo (uma vez que Jesus Cristo, pobre dele, continua sendo o 'Cristo' em nome do qual estes cultos são dedicados) seja lá de que forma se apresente, sempre perseguiu os pagãos no Velho Mundo, haja visto a Idade Média e o período de caça às bruxas, com tanta gente sendo morta que algumas pequenas cidades da Alemanha chegaram a desaparecer, por falta de população efetiva.

Quer dizer, os cultos Wicca e outros baseados nos antigos mistérios, que estão começando a ter uma boa aceitação por parte de alguns brasileiros, podem muito bem despertar um dia e descobrir que uma Medida Provisória qualquer os impede de levar adiante suas crenças e rituais. Não é impossível, levando-se em conta que o poder maior a fazer a máquina administrativa se mover por aqui ainda é o dinheiro. Como afirmavam os imperadores romanos, dê pão e vinho, com um pouco de circo, ao povo, e nós os teremos nas mãos. Mesmo que o circo já não exista e o pão e vinho estejam cada vez mais escassos.

Não existe nenhuma solução a curto, ou médio prazo, para isso. Aliás, talvez nem valha a pena se preocupar com essas grandes linhas agora. O que o homem e a mulher (uma parcela bem maior das pessoas interessadas, diga-se de passagem) que mergulharam de cabeça no mundo esotérico têm de fazer é continuar com seu trabalho de formiguinhas, aqui, ali e acolá, sem se preocupar em arrebanhar mais e mais adeptos para aquilo a que se dedicam. O 'chamado selvagem', parodiando Jack London, mais dia, menos dia vai levar todos aqueles cujo destino é abraçar o oculto em sua direção. Eles, provavelmente, nem vão se dar conta disso, a princípio.

Há alguns poucos que têm condições financeiras suficientes para levar seu trabalho adiante sem maiores problemas, mesmo com poucos adeptos. Há aqueles que têm seus trabalhos diários e, nos finais de semana, vestem seus mantos e acendem seus incensários, sem deixar de lado o 'chamado selvagem'. Há os que não sabem o que fazer para deixarem de ser leigos no campo esotérico, nem de quem se aproximar para procurar informações a respeito. Infelizmente, estes são os mais aptos a cair nas garras de aproveitadores e pseudo-esotéricos, interessados apenas em arrebanhar mais dinheiro para seus bolsos. Mas, até aí, esta com certeza não é uma prática adotada apenas no esoterismo em geral, há muitas religiões por aí que recolhem o dízimo primeiro, para depois lerem seus livros sagrados para os fiéis.

Estas religiões são as mais interessadas em não deixar que o paganismo volte a se espalhar não só pelo país, mas pelo mundo como um todo. Entretanto, percebe-se que a desilusão das massas é muito grande, inclusive com as religiões estabelecidas. E se o mundo foi pagão em nossa aurora, o que o impede de voltar a ser?

O problema é melindroso. O materialismo que nosso atual governo parece querer abraçar, namorando o comunismo, que simplesmente afirma inexistir o mundo espiritual, só consegue se manter até determinado ponto, pois o ser humano necessita de mais que apenas comida, diversão, água e sexo. A espiritualidade faz parte de nós, mesmo que os governantes queiram cortá-la pela raiz. Observe um cadáver estendido em um caixão e perceba que ali, naquele corpo, falta alguma coisa que lá estava quando este respirava, e não é sangue, nem suor e nem lágrimas. Por falta de termo melhor, digamos que é aquilo que se convencionou chamar de alma.

E de que esta mesma alma vai se alimentar, caso proíbam o espírito e suas especificidades de se manifestar? O esoterismo, o oculto, o mundo das sombras ou da luz, fazem parte desta espiritualidade e têm que ter sua válvula de escape. Os políticos e religiosos querem monopolizar o espírito mas, em última instância, é ele, dentro de cada um de nós, seres humanos, que vai apontar o caminho a ser seguido. Mesmo assim, é preciso cuidado. Muitos auto-intitulados mestres espirituais que andam por aí, portando suas bandeiras, não são confiáveis. Quem conhece o simbolismo do Tarot sabe muito bem quais são os prós e os contras da carta número 5 dos arcanos maiores, ou seja, o Hierofante. Saber se posicionar, portanto, é uma virtude e uma necessidade.

Márcio Salerno, STEPPENWOLF


 volta

® 2008 Arte Antiga - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por InWeb Internet