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Atualmente existem centenas de baralhos de Tarot disponíveis no mercado, cada um deles excedendo pela qualidade das imagens. O sistema dito adivinhatório mas que, na verdade, é utilizável para outros aspectos da vida que não a (dúbia) leitura de futuros possíveis, caiu nas graças populares portanto, em especial nos países do Primeiro Mundo. Apesar de ter se tornado também uma espécie de galeria de arte ambulante, é preciso deixar claro que o Tarot é muito mais que isso, embora se preste a este papel. Ninguém sabe exatamente onde e quando situar o surgimento do primeiro Tarot, mas estudiosos apontam para indícios de seu surgimento em lugares como Índia, Egito e China, há muitos séculos atrás. Seja como for, os primeiros baralhos de Tarot de que se tem notícia surgiram em meados do século XIV, na Europa. De fato, um dos baralhos mais populares atualmente continua sendo o Tarot de Marselha, considerado o primeiro jogo popular a ser colocado à disposição dos europeus em geral, descontando-se algumas edições raríssimas, encomendadas por famílias poderosas, como os Visconti de Veneza. Estes baralhos, entretanto, não estão disponíveis para compra. O jogo utilizando imagens de deuses egípcios tornou-se muito popular na França e, depois, no resto da Europa, graças ao baralho de Etteilla, cujo verdadeiro sobrenome era Monsieur Alliette, que criou um baralho e uma tiragem específicos no século XVIII. Seu sistema, entretanto, centra-se demais na adivinhação pura e simples, coisa que estava em voga naqueles dias. Estudando-se o Tarot e seus arcanos maiores e menores, percebe-se que ali se encontra a chave, ou uma das chaves possíveis, para que o ser humano compreenda a presença do Destino e daquilo ao qual não se pode escapar em sua vida. Uma pequena revolução foi levada a cabo entre 1909/10, quando Arthur Edward Waite, membro da Golden Dawn britânica, entidade mística que incorporou nomes como Aleister Crowley (que criou um Tarot bastante popular hoje), o escritor Arthur Machen e o poeta William Butler Yeates, entre outros, lançou seu Tarot Rider-Waite. Rider é o sobrenome do editor do mesmo, mas a presença mais importante nesta revolução foi da ilustradora Pamela Colman Smith, também membro da Golden Dawn, que criou imagens para todas as 56 cartas dos arcanos menores, incluindo aí os Ases. Até então, apenas as 22 cartas dos arcanos maiores vinham exemplificadas por imagens. Depois de Smith, quase todos os Tarots posteriores as incorporaram em todas as 78 cartas. O Rider-Waite-Smith e o Tarot de Thoth, idealizado por Crowley e ilustrado por Frieda Harris, terminado em meados dos anos 40, pouco antes da morte de Crowley, mas só colocado à disposição do público na década de 60, quando o mundo conheceu os hippies, a contracultura em geral, as religiões e filosofias orientais, etc., são os dois jogos de Tarot utilizados por este que vos escreve, por razões que não incluem apenas a riqueza de simbolismos apresentados, em especial no caso de Crowley-Harris, mas porque guardam em suas imagens elementos que, dependendo da leitura que se está fazendo, trazem à mente exatamente o que serve não como uma adivinhação de futuro, coisa que pouco nos interessa, mas o que pode estar se passando na vida do consulente no momento em que as cartas por ele/ela escolhidas são interpretadas. Jung afirmou com os pés firmemente plantados no chão que não existe aquilo que chamamos de Coincidência, mas uma Sincronicidade específica, comum a todos os seres humanos, que os liga a uma espécie de corrente cósmica que inclui passado, presente e futuro. Esta Sincronicidade se faz presente nas cartas do Tarot, como o psicanalista bem sabia, uma vez que também se dedicou a estudar sua simbologia. Isto foi comprovado por nós quando fazíamos leituras solitárias, acompanhadas de meditação. Diz um ditado que cada um sabe onde o calo aperta e só cada um com seu cada qual sabe o que é a surpresa de escolher uma carta ao acaso, depois de muito as embaralhar, e perceber, por exemplo, que o Pendurado demonstra exatamente como você está se sentindo no momento, ou que representa com precisão a situação com a qual a vida o confrontou. Ou que a Estrela não só é um fim a ser alcançado em qualquer caso, mas que é exatamente o estado a que se está tentando chegar naquele determinado instante da vida. O estudo do Tarot, desde os primeiros passos do Louco até a completa Sincronicidade demonstrada pelo Mundo, reserva muitas surpresas para o pesquisador. E é esta a linha que seguimos em nossos estudos e pesquisas deste sistema.
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