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O PRATICANTE SOLITÁRIO É BRUXO OU NÃO? EIS A QUESTÃO!

É muito comum ouvirmos dizer que o bruxo solitário é qualquer coisa menos bruxo.

Muitos, com intenções escusas, tentam provar isso, lançando mão de alegações levianas, infundadas e preconceituosas, como: "assim como uma andorinha não faz verão, o solitário não faz magia"; "para ser um bruxo de verdade, o aspirante deve ser aceito e iniciado por um coven, através de um sacerdote ou sacerdotisa que seja hereditário na arte da magia..."; "o solitário brinca de ser bruxo. O verdadeiro bruxo é aquele que se inicia num coven como neófito e galga, ano após ano, por graus e no final passa a conhecer todos os mistérios dos Antigos...".

É verdade que todos têm o direito de dizer o que bem entende e acreditar no que bem quiser, mas, desse "dizer o que bem entende" é preciso que nós estejamos alertas, com o senso crítico apurado para não corrermos o risco de sermos enganados, usados e/ou manipulados por aqueles que adoram o poder de elitizar (é incrível como alguns, que se intitulam sacerdotes, se utilizam da sua suposta "nobreza", alegando uma suposta "hereditariedade bruxesca", provada através de um suposto "brasão" da família milenar de bruxos, que data os primórdios da humanidade... Mais incrível ainda é ver os incautos, inseguros e até mesmo acomodados, se deixarem levar por tais falácias), de criar dogmas com o objetivo de cegar os olhos dos inocentes para obter vantagens de toda sorte para si próprios.

Pior que tudo isso, é saber que por causa dessas mentiras, vários bruxos e bruxas "adormecidos" deixam de despertar seu poder interior; deixam de despertar para a magia e para a Grande Deusa por simplesmente, acreditarem cegamente nas palavras desses charlatões, ou seja, deixam de acordar para o seu próprio poder por não ter um coven para participar; por não terem um "mestre" para os guiar; por não terem um "vampiro" para lhes sugar suas economias ou suas energias; por não terem um "grande senhor ou senhora" para se ajoelharem e brincarem de "seu mestre mandou..." Não podemos deixar de citar aqui, aqueles que preferem acreditar nessas mentiras por preguiça (afinal, é mais fácil obter coisas "mastigadinhas" do que Ter que sair para buscar, processar e digerir) ou por acharem que participar de coven é sinônimo de status.

Queridos amigos, antes de prosseguir, é importante esclarecer que o presente artigo, não tem qualquer intenção em afirmar que o certo é ser solitário e o errado é participar de coven. Também, é necessário deixar bem claro que sacerdotes ou sacerdotisas não são canalhas, mas sim, deixar claro que, como em toda religião, sempre há aqueles que se aproveitam da ingenuidade dos novatos para obter vantagens para si, com fins puramente egoístas.

Saibam que os verdadeiros bruxos, sacerdotes e sacerdotisas, membros de covens, quando sérios, não saem por aí bradando aos quatro ventos quem é ou não é alguma coisa; o que é ou o que não é certo. Antes disso, o verdadeiro bruxo, sacerdote e sacerdotisa, integrantes de covens, quando sérios, utilizam-se do velho provérbio que diz: "Quem pouco sabe, muito fala. Quem muito sabe, quase sempre se cala". Isso significa dizer que os sérios não precisam criticar, apontar, brigar ou impor. Usam seu conhecimento para ensinar e não se gabar.

O presente artigo tem apenas a intenção de esclarecer que ser solitário ou não é apenas uma questão de opção e gosto pessoal. Todos nós somos livres – e assim devemos continuar sendo – para optar, livremente, por aquilo que julgamos ser o melhor para nós. Logo, se para um o ideal é participar de um coven, para o outro o ideal pode ser a prática solitária. Se esse prefere ser iniciado por um coven, aquele pode gostar mais de se auto-iniciar. Em outras palavras, cada um na sua! Afinal, o que seria do azul se todos gostassem do rosa?

Amigos, os solitários são tão bruxos e merecem tanto respeito quanto aqueles que participam de um coven. Acreditem!

Ser solitário ou não, como tudo em nossas vidas, é uma questão de opção íntima e pessoal; da escolha de um caminho, cabendo a cada um, pesar e escolher o que é melhor para si e vivenciar a escolha, tendo a possibilidade de voltar atrás e optar pelo outro caminho, caso o primeiro não lhe tenha agradado. Ou seja, se optou por ser solitário, nada impede que venha a fazer parte de um coven ou vice-versa.

A escolha fica mais fácil quando o neófito conhece (pelo menos) um pouco sobre os caminhos, como:

Num Coven

  • O neófito conta com um grupo fechado de amigos;
  • A celebração dos Festivais e Rituais são mais animados já que são vários amigos participando juntos;
  • O poder necessário é gerado mais facilmente já que são vários amigos reunidos no mesmo local sob o mesmo propósito;
  • Maior facilidade na troca de informações e experiências, além do conteúdo do conhecimento ser passado gradualmente, seguindo, roteiro determinado pelo líder do coven. Assim, o neófito só vai se preocupar em aprender e não vai ter que se preocupar em traçar um roteiro para então começar.
  • Por outro lado, a responsabilidade pelos atos e intenções praticados dentro do coven é de todos os integrantes, ou seja, pela prática de um, todos respondem perante a Lei Tríplice como co-responsáveis;
  • Caso o iniciante não esteja preparado e/ou tenha um grau de afinidade e conhecimento dos integrantes do coven, corre o risco de ser enganado e usado ou drenado de suas energias para fins egoísticos do grupo, sem se perceber, já que não tem conhecimento para detectar o que ocorre ao seu redor;
  • O iniciante pode ficar limitado às práticas, vivências, experiências e ao conhecimento, passado dentro do coven, principalmente se for do tipo que se acomoda ou se contenta com pouco do que lhe é dado, dentro do pequeno universo do qual faz parte;
  • Por fim, participar de um coven é tarefa árdua uma vez que, por primeiro, o neófito deve ser convidado a participar de um (há de conhecer e ter o mínimo de afinidade com o grupo) ou pelo menos saber da existência de um e tentar ser aceito.

    Solitário

  • é uma escolha, a priori, árdua uma vez que o iniciante é só em sua caminhada - o estar só não significa estar desamparado pelos deuses. Muito pelo contrário, uma vez determinado e empenhado na busca do seu caminho, será, com certeza, amparado e acompanhado pelos deuses que saberão recompensar o esforço do iniciante.
  • O iniciante terá que traçar seu roteiro, seu plano de estudo para obter conhecimento e colocá-lo em prática;
  • terá que celebrar os Festivais e Rituais solitariamente, mas, nada o impede de se reunir com outros para formar um círculo para a celebração;
  • todos os atos praticados são de sua inteira responsabilidade, ou seja, tudo que fizer ficará sujeito à Lei Tríplice, não tendo que responder pelo erro de outros;
  • será livre para fazer o que bem entender – escolher a roupa ritual; criar seus próprios ritos, invocações, cantos, etc.
  • Terá ampla liberdade, ou seja, será seu próprio mestre, e por aí vai

    Sabendo, pelo menos o pouco acima descrito, o neófito saberá determinar o que, a princípio, lhe agrada. Além do básico, o neófito, também, precisa saber que um verdadeiro bruxo não é aquele que alega vir de uma longa linhagem de bruxos. Não é aquele que se julga melhor por Ter um título de sacerdote ou sacerdotisa de um coven, ou ser membro de um. Também, não é o que sabe mais, ou aquele que tem mais seguidores.

    O verdadeiro bruxo é aquele que sabe e não se gaba. É o humilde de coração. É o que tem sensibilidade para entender a linguagem do vento. É o capaz de conversar com a Grande Mãe. É o que coloca a cabeça no colo Dela e a sente afagando seus cabelos.

    Queridos amigos, não é a roupa, a riqueza, os instrumentos, o templo, a quantidade de seguidores, participar de um coven que faz o verdadeiro bruxo, mas, sim os ATOS e as INTENÇÕES!

    Além de todo o exposto, devemos considerar que no paganismo _wicca, druidismo, etc – não tem certo ou errado. Não tem regras, dogmas, imposições, pecados. Na Wicca a única regra é se for para o bem, faça o que quiser, logo, se para você o bem é ser solitário ou não, não cabe a mais ninguém julgá-lo por isso ou aquilo.

    Não há qualquer brecha para a aceitação das alegações de que os solitários não são bruxos. Se, apesar das palavras acima, ainda restaram dúvidas, tente responder as seguintes perguntas:

    1 - Quem disse que solitários não devem ser considerados bruxos?
    2 - Onde está escrito?
    3 - Por acaso os arqueólogos encontraram, em alguma caverna, alguma lei, gravada nas pedras, excluindo os solitários de serem bruxos?
    4 - Será que, na inquisição, aqueles que praticavam solitariamente seus rituais, trancafiados em suas casas, e em absoluto silêncio, para não serem ouvidos e descobertos pelos vizinhos, com medo de serem delatados à inquisição não eram bruxo?
    5 - Existe alguma bíblia, tratado... um documento qualquer, escrito, registrado em cartório e assinado por duas testemunhas, com firma reconhecida, tudo nos termos da lei?

    O fato é que: solitário ou não, o iniciante terá que fazer sua escolha e, seja ela qual for, se deparará com prós e contras. Porém, se a escolha for feita de forma criteriosa, consciente e responsável a chance de tropeçar e machucar será menor.

    Portanto, antes de fazer a escolha, ou seja, de dar o primeiro passo, pare; pense; analise, e estando certo do que quer, siga, pois é através do primeiro passo – firme e forte – que haverá o segundo, o terceiro e todos os outros milhares de passos que o levarão, direto, para os braços amorosos da Grande Mãe.

    Paz e Luz
    Magali P. Gracio, ADHORAT


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