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A NATUREZA DAS FADAS

(Texto de Henrique Guilherme Wiederspahn - reprodução somente com consentimento do autor)

Quem são?

Se você sair por aí perguntando o que as pessoas acham a respeito das Fadas ou se elas existem mesmo, obterá as mais variadas respostas para o assunto.

Algumas pessoas lhe dirão que elas são espíritos da natureza...

Outras acreditam que são espíritos das trevas que habitam nos limites das dimensões terrestres...

Há quem diga que são anjos caídos...

Por estarem associadas a mitos pagãos, os líderes religiosos da Idade Média as rotularam de “espíritos demoníacos”, tentando desmistificá-las nos antigos ritos e crenças encontrados em toda a Europa. Contudo, existem referências a elas por todos os cantos do globo. No Japão, crê-se que podem ser encontradas em certos bonsais sagrados. Na África, elas são invocadas para obter certos favores.

Alguns estudiosos de mitologia chegaram à conclusão de que a crença na existência das fadas provém da adaptação ou má compreensão de mitos mais antigos. Mas também acontece de encontrarmos certas fadas que nos levam a crer que tenham sido criadas pela fértil imaginação humana, sempre pronta em encontrar apoio externo para solucionar seus problemas e dificuldades. Outras, foram criadas para explicar certos fenômenos naturais para os quais a humanidade ainda não tinha respostas racionais.

Contudo, é bastante interessante observar que em países distantes entre si, como na Índia e Polinésia, as fadas possuem nomes com raízes semelhantes aos nomes utilizados pelos povos germânicos e celtas. Por si só, esta é uma sugestão de que tiveram um berço comum, que reside muito longe na pré-história.

O paganismo moderno, entretanto, tem outro ponto de vista a respeito das fadas. Acreditam que foram criadas pelos deuses da mesma forma que os seres humanos e os outros animais. São uma forma de vida que acontece paralelamente ao nosso mundo visível, em um plano astral ou interior. Contudo, elas têm a habilidade e capacidade de transcender esses planos e rapidamente viajar através deles. De certa maneira, estão associadas aos elementais, embora não sejam uma forma de energia pura. São seres pensantes que têm sentimentos e podem realizar encantos ou mesmo agir junto com bruxas e feiticeiras para diversas atividades mágicas ou ritualísticas.

A participação e a interação das fadas na vida cotidiana de nossos ancestrais pagãos era uma ocorrência bastante comum. Diz-se que houve um tempo, quando os dons intuitivos dos seres humanos eram mais despertos, que fadas e humanos se relacionavam normalmente entre si. As crenças pagãs afirmam ainda que trabalhavam e viviam juntos.

Mas, conforme as nossas capacidades mentais se tornaram mais representativas, os seres humanos acabaram por colocar as fadas em segundo plano em seu imaginário e cotidiano. Com o tempo, mesmo as crenças pagãs passaram a atribuir às fadas outros papéis que diferiam dos iniciais. Como conseqüência, houve desentendimentos entre os dois reinos, bem como, as diferenças entre ambos se tornaram mais acentuadas.

E foi assim que as fadas se tornaram travessas, caprichosas e ciumentas, especialmente quando os seres humanos as exploravam e às suas dádivas e presentes...

Da mesma forma que fazemos hoje com a Mãe Terra.

Encontrando as Fadas

Para vermos as fadas nos dias de hoje, é preciso se abrir para a consciência dos planos astrais ou reinos das experiências interiores. Este é um reino que não costuma ser visível quando estamos em estado de vigília. J. M. Barrie, criador da estória de Peter Pan dizia que para ver as fadas é preciso acreditar nelas.

Existem ainda muitos fragmentos de contos e estórias em que pessoas, voluntariamente ou involuntariamente entram em transe contatando as fadas em seus planos de existência, encontrando dificuldades para sair deste estado.

As crianças ainda possuem o dom de perceber e ver as fadas com grande facilidade. O que ocorre é que elas ainda contam com fortes capacidades psíquicas em virtude de sua inocência, pureza e até, por ainda estarem relativamente próximas de seus nascimentos.

Às bruxas e feiticeiras sempre são lembradas de estarem “de bem” com as fadas. Seus castelos são freqüentemente visitados por esses seres e muitas vezes, essas feiticeiras as empregam em magias que, nem sempre servem a bons propósitos. Porém, mesmo bruxas e feiticeiras estão sujeitas às leis cármicas e pagarão por suas ações mesmo que empreguem as fadas para fins impróprios.

Em virtude de seu treinamento e preparo, estão aptas a “enxergar” no plano astral, podendo “sentir” os seres deste plano ao seu redor. Da mesma forma, desenvolveram poderes muito parecidos aos das fadas. Sabem também como invocá-las ou mesmo fazer para irem embora. No entanto, as fadas também sabem que podem ser vistas pelas bruxas e feiticeiras, fazendo com que redobrem seus cuidados quando estão na presença delas.

Àqueles que crêem no paganismo dizem que é bastante difícil trabalhar com as fadas ou estabelecer relações com elas, pois nem sempre são suficientemente confiáveis. Entretanto, o que se sabe é que cada fada tem sua própria natureza e são diferentes umas das outras. Assim, existem aquelas que devemos evitar, da mesma maneira que evitamos àquelas pessoas que consideramos indesejáveis.

Este é um cuidado que você sempre deverá ter em mente quando abrir os portais para o reino das fadas. Quando entrar nesse reino, a última coisa que você poderá fazer é sair correndo. Portanto, terá de se munir de uma boa dose de confiança e coragem. Existe um velho ditado a respeito das fadas que resume este princípio: “Se você não correr, não será perseguido.”

Lidar com as fadas pode até trazer alguns problemas, mas pode também ser bastante divertido e construtivo, especialmente se ganhar a confiança delas.

As fadas são seres extremamente sensíveis. São facilmente magoáveis e está é a principal razão pela qual são chamadas por termos carinhosos. Quando você estiver em estado alterado de consciência, precisa ser cuidadoso com elas, não olhar para as plantas de seus pés, não elevar a voz ou assustá-las arremessando algo em sua direção.

Seu reino encantado

Como elas se parecem? As fadas são diferentes entre si, de acordo com a região ou atividade a elas relacionada. São geralmente pequenas, podendo ter alguns poucos centímetros a até um metro de altura. Algumas delas contam com a habilidade de assumirem formas e dimensões humanas, quando são classificadas como “fadas gigantes”.

Todas as fadas adoram natureza, música, caçadas, danças e cavalos. Mas também curtem muito espionar e “pegar no pé” dos seres humanos, pois sua falta de bom senso sempre as intriga demais.

Jogos e especialmente disputas fazem parte do passado das fadas, como é contado em diversos contos irlandeses.

Hoje em dia, boa parte delas estão associadas às atividades da vida diária dos humanos. Contudo, muitas delas nada têm a fazer do que pregar peças e fazer as suas travessuras com os animais nas fazendas e seus donos. Nada fazem com as animais selvagens, já que existe um certo laço de amizade e cumplicidade entre eles.

A razão pela qual as fadas são tão travessas é por conta do próprio ciúme que sentem pelos humanos. Enquanto as fadas vivem no maravilhoso e etéreo mundo astral, que é mais fluido que os pensamentos, tendo uma vida longa, perderam muitas das alegrias e brincadeiras existentes nos reinos humanos, como os relacionamentos afetivos, a capacidade de criar, uma espiritualidade plena, bem como, uma vida sexual normal, incluindo-se a possibilidade de gerar filhos.

As fadas vivem à margem disso tudo, tentando imitar e ridicularizar essas experiências humanas, sem nunca experimentá-las por completo elas mesmas. Ou seja, elas não vivem as oscilações de humor tão características de nossa espécie. Essa é a razão pela qual elas são desejosas de nos ajudar nas atividades mágicas, pois isso as permite se conectarem com esta parte de nossa existência.

As fadas também têm ciúme de nossa existência material e o mundo físico que o envolve e que contém a vida, as árvores e florestas que elas tanto amam e reproduziram tão cuidadosamente em seu mundo. O modo como hoje em dia tratamos a natureza as deixam zangadas e assustadas.

Elas adoram música e entre elas há as melhores entre as conhecidas. Diz-se que uma boa parte das fadas são antigos músicos humanos que espiritualizaram seus talentos. Se observarmos como os músicos morrem com pouca idade (ou se transformam, como dizem os pagãos), então teremos de fato um pequeno milagre.

Também curtem dançar, particularmente as danças folclóricas dos países em que vivem. Mas quem copiou o que de quem, já é uma outra estória.

Gostam de beleza e luxúria e seus contos geralmente falam de muito ouro e pedras preciosas. É preciso levar em conta que vivem em um plano em que o pensamento é ação e criar a partir de sonhos é sempre muito fácil.

Será que as fadas são imortais? Acredita-se que não, uma vez que existem muitas estórias nos contando a respeito de funerais de fadas. Entretanto, como contam outras estórias, podem viver entre 400 a 1000 anos. Se elas se reencarnam, ninguém sabe dizer.

Elas são fascinadas com o que fazemos e o que acontece entre nós. Freqüentemente, compartilham de nossas vidas em formas que nos são habituais, como animais domésticos, por exemplo. E sua natureza divertida faz com que acabe igualmente proporcionando alegrias através das brincadeiras que faz neste corpo.

Muitas fadas contam com uma enorme habilidade para mudar de forma, embora elas possam ficar nesse estado apenas por um período limitado de tempo. Isso ocorre de maneira semelhante aos humanos, que só podem permanecer no plano astral por um período limitado de tempo.

Como se classificam

Elas são classificadas de acordo com a região do plano astral em que vivem. Por isso mesmo, há tantas noticias de marinheiros que se depararam com fadas, que as encontraram em antigos castelos e residências, árvores, florestas fechadas, conchas, subterrâneos e reinos subaquáticos. Aqueles humanos que violarem seus reinos sofrerão as conseqüências de viverem como as fadas.

Outra maneira de classificá-las é de acordo com o modo como agem. Algumas agem individualmente, enquanto outras se apresentam sempre em grupos. Essas últimas tendem a ser mais amigáveis e prestativas aos humanos. As que andam sozinhas, dificilmente se deixam aproximar.

Aquelas que andam em grupo são as mais conhecidas, pois seu cortejo foi diversas vezes reportado ao longo dos séculos. Esse cortejo é chamado de “Rade” e, na Irlanda, Bretanha, Alemanha, Noruega e Rússia foram vistos diversas vezes. Quanto em “Rade”, elas se apresentam com seus melhores trajes, sejam de folhagens ou de peles finas e caras, decorando ainda seus cavalos com as bênçãos da natureza.

Henrique Guilherme Wiederspahn, ESQUILO FALANTE


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