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A BUSCA DO DIVINO

Em algum momento, olhando para a infinitude do céu estrelado o Homem se viu de seu verdadeiro tamanho. Há estrelas demais num céu escuro sem luar. A mesma sensação aterradora poderia surgir ao contemplar os relâmpagos de uma tempestade... em todos os casos, temos o contraste da luz (das estrelas, dos relâmpagos) com um céu escuro, da luz contra as trevas, o dilema da humanidade.

Em alguns, talvez começassem a surgir as questões básicas a todos nós:

  • De onde viemos?
  • Quem somos realmente?
  • Para onde estamos indo?

    O ser humano é imaginativo e criativo, reflexivo e inventivo... E talvez tenha começado a enredar estórias sobre a sua própria origem.

    Em sua pequenez, entretanto, havia a consciência de que não poderia estar no centro de todos aqueles eventos que ocorriam à sua volta. A maior parte deles, ocorrendo inclusive sem a sua participação direta. O pensamento do homem proto-filósofo ia se tornando mais refinado ao contrário de sua linguagem e símbolos foram então empregados para representar o que ele via, compreendia, mas não conseguia descrever com palavras.

    A adoração ao Sol é demasiado óbvia. No entanto, é tão óbvia que não nos apercebemos, seres pensantes do século XXI, o quão profunda poderia ser adoração.

    Cabem aqui duas possibilidades: as referências simbólicas são anteriores ao próprio Homem, não importa a sua origem; ou, tenham sido criados por ele.

    Quando pensamos no deus Aton ou Rá dos egípcios, a imagem que nos chega à mente é que adorassem o objeto físico, a estrela Sol, uma vez que graças a ele temos a existência da vida na Terra. Uma leitura mais aprofundada revela, entretanto, que o disco do Sol era adorado como uma representação da divindade e não como a divindade em si. Isto faz toda a diferença, pois implica num deus (ou deusa) transcendente, encontrado além do Sol.

    De uma maneira mais complexa e intrincada, porém semelhante, a mesma lógica é encontrada na Cabala hebraica.

    Mas quero me ater aos símbolos e em especial, ao símbolo de Aton e o Awen, muito semelhantes entre si, seja em sua pronúncia, como particularmente em sua representação e ideação.

    Aton não é um deus criado por um faraó do Egito, mas uma representação não antropomórfica, extra-física da energia divina fluindo até a humanidade e permitindo vida.

    Awen é considerado um símbolo celta empregado pelos druidas para representar inspiração.

    Embora sejam símbolos distintos que surgiram em períodos e regiões muito distantes entre si, fica uma sugestão de que, na busca do divino, ambos tenham ocorrido aos seus criadores ou que estes tiveram uma inspiração comum ao tentar responder à primeira pergunta ("De onde viemos?"). Ambos sugerem uma divindade que se encontra bastante além de sua obra, da Criação, mas que a anima com a sua energia (nuvens de fótons, inspiração ou vida) num processo continuado.

    Particularmente o Awen, usa ainda o conceito de trindade, pois são três pontos acima de três linhas. Os três pontos correspondem às ideias-semente a partir da qual a inspiração se processa. Ou então, os três pilares da criação (como encontrado na Árvore da Vida cabalística). Tanto em Aton como em Awen, de um centro, de uma origem, parte uma inspiradora emanação de vida e energia.

    Mesmo com algumas alterações e variações, estes símbolos continuam vivos em outras tradições, em círculos iniciáticos ou dentro das correntes religiosas. Surgiram posteriormente inclusive em litogravuras de representações alquímicas.

    Em sua sensação de estar apartado do Universo, entretanto, há a tendência de considerar estes símbolos apenas como emanações, representando um trajeto que vem do divino.

    Como já está provado que tudo e todos estamos interligados, sugiro usar o mesmo símbolo para indicar o caminho de retorno à unidade divina. Experimente fazê-lo com o Awen.

    Afinal, "todos os caminhos levam ao Pai."

    São Paulo, 09 de fevereiro de 2009.

    Henrique Guilherme Wiederspahn, ESQUILO FALANTE

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