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LUGHNASADH, LAMMAS OU A FESTA DA COLHEITA

Lugh representa o elo de união entre duas raças: os Tuatha de Danann e os Fomoire. Em virtude de uma predição feita por um druida, foi apartado de seus verdadeiros pais, Cían e Eithne, sendo adotado por Manannan e por Tailtiu, divindade primordial e anterior aos Tuatha de Danann (ela era uma das rainhas dos Fir Bolg). Em seu leito de morte, Tailtiu pediu a Lugh que celebrasse a sua morte com um torneio com lutas competições a cavalo, inaugurando em 1º de agosto a tradição da Festival de Lugh.

Na verdade, essa festa é uma homenagem à sua madrasta, que foi obrigada a limpar e preparar a terra quando o seu povo foi subjugada pelos Tuatha de Danann, sucumbindo em virtude da exaustão. Passou assim a ser associada à terra e à colheita, lembrando-nos quanto ela (a terra) tem a nos oferecer se devidamente preparada para receber a semente.

Em virtude da fusão das duas raças, Lugh representa a fusão dos poderes mágicos dos Tuatha de Danann com a capacidade científica dos Fomoire. Particularmente de Manannan, herdou o uso de vários instrumentos e armas, o que o tornou extremamente habilidoso em várias artes e ofícios, bem como, grandemente arguto em solucionar questões difíceis. Vemos então em Lugh a convergência das várias raças que formaram a Irlanda por meio das sucessivas invasões.

Lugh é então aquele deus que preside sobre as artes e ciências, sendo igualmente um poderoso e habilidoso guerreiro, como são as divindades celtas. E que em homenagem à sua mãe adotiva, Tailtiu, a quem amava profundamente, instituiu a tradição de Lughnasadh.

E embora pareça ser uma festa eminentemente agrícola, para comemorar a colheita dos primeiros grãos, esta festividade foi instituída em honra a morte de Tailtiu. Alguns historiadores sugerem que os torneios que ocorriam por esta ocasião tenham dado origem aos jogos olímpicos, tanto que os guerreiros mortos em combate eram homenageados nessa mesma data.

Com o passar do tempo, esta festividade acabou ganhando uma característica mais agrícola e comunitária. Havia o costume de confeccionar um pão feito de uma massa (de Lugh) que era preparada por todas as mulheres da vila e depois compartilhada por todos os seus moradores.

Usa-se ainda fazer bonecas de milho, feitas de palha trançada, simbolizando a deusa-mãe Tailtiu. Deve ser deixada sobre o altar até o ano seguinte, queimando-se a boneca anterior. Porém, podemos também comemorar essa data preparando e servindo pães caseiros, bolos de milho ou fubá, tortas (especialmente de cereja ou maçã).

São Paulo, 29/06/2007

Henrique Guilherme Wiederspahn, ESQUILO FALANTE


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