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O Véu de Paroketh ou a Ponte do Arco-Íris separa os seis ramos criadores e regentes do mundo divino de cima, dos quatro ramos de funcionamento criativo do mundo terrestre de baixo. É o véu entre o corpo e a alma ou o véu do Templo. Na Árvore da Vida, este véu se encontra logo após a 6ª esfera, separando as esferas do plano inferior daquelas do plano superior. Entretanto, é preciso lembrar que até Kether (1ª esfera), temos de fato dois véus para ultrapassar: o Véu de Paroketh e o Abismo (separando as “águas de cima das águas de baixo). Existem diferentes interpretações sobre a finalidade deste véu, mas ela pode ser bem compreendida através dos conceitos associados à reflexão. Se nos imaginarmos fitando a superfície de um lago num dia sem vento, observaremos que reflete o céu. Porém, por maiores que sejam as semelhanças, sabemos que o céu se encontra acima de nossas cabeças. O que é encontrado no lago é apenas um reflexo de uma realidade. O papel do Véu de Paroketh, no processo criativo simbolizado pelo “Caminho da Espada Flamejante”, é estabelecer uma separação entre o plano divino e aquele que virá a ser o plano da manifestação humana, representada mais abaixo pelo Reino. É ele que separa a Realidade divina de seu reflexo, a realidade material. O Véu de Paroketh é também o limite de ação do plano astral, incluindo-se aqui todos os processos associados ao subconsciente. As antigas iniciações conferidas pelas escolas de mistério tradicionais faziam com que o candidato cruzasse simbolicamente três “abismos”: 1. O 32º Caminho (Tau ou do Sacrifício), entre Malkuth e Yesod (10ª e 9ª esferas); 2. O Véu de Paroketh (ou abismo da consciência do ego), entre Yesod e Tiphereth (9ª e 6ª esferas); e 3. O Grande Abismo (a derradeira iniciação ou maestria), entre Tiphereth e Kether (6ª e 1ª esferas). Esses três abismos ou véus correspondem a três etapas do processo de iluminação. A experiência de cruzar o primeiro abismo é aquela de se elevar dos instintos para um grau de consciência de si e de seus bloqueios, refinando seus sentimentos, ajustando seus valores e ordenando as suas habilidades de maneira prática, eficiente e útil. Geralmente, esta experiência não depende de um “iniciador” e pode facilmente ocorrer através de algum evento marcante e significativo que proporcione uma reflexão sobre os seus conteúdos internos e sua relação com aqueles existentes à sua volta. Se o indivíduo se ajusta à realidade, terá superado este primeiro abismo. Ao contrário, se não ocorre este ajuste, acabará necessitando do auxílio de algum psicólogo ou terapeuta. Porém, uma vez que não tenha obtido êxito ao cruzar este primeiro abismo, levará algum tempo até que se recupere e possa cruzá-lo novamente e, quando o fizer, sentir-se-á “curado”, preparando-se para a etapa seguinte. C. G. Jung chamou esta segunda etapa, aquela que cruza o Véu de Paroketh, de “processo de individuação”, e não deixa de ser uma união com a mente superior ou uma tomada de consciência, realizada em planos mais elevados. Nas escolas de mistério, corresponde à iniciação ao grau de Adepto, raramente conferida. Não basta ser Homo Sapiens Sapiens (o homem que sabe que sabe), mas sim um indivíduo plenamente consciente de si mesmo e de tudo o que existe à sua volta. Trata-se de um nível de auto-consciência onde o indivíduo faz uso dos dois hemisférios de seu cérebro para acessar dimensões extra- temporais, sem perde no entanto, sua própria simultaneidade. O Grande Abismo é ultrapassado somente em estado de grande êxtase (muitas vezes alcançado por meio de um orgasmo intenso e profundo) ou por meio da meditação profunda. Porém, geralmente é ultrapassado apenas por da transição. Vamos ilustrar o tema de uma outra perspectiva, usando para isso trechos das Tríades da Bretanha, adaptados livremente, que fazem uma relação com os Mundos Celtas, como era professado pelos Druidas: 12. Existem três círculos dentro do Universo: O Círculo de Keugant, vazio, onde nenhum ser subsiste exceto Deus e apenas Ele o atravessa em suas diversas manifestações. O Círculo de Abred, da fatalidade e do destino, onde cada estado ou existência nasce da morte, sendo atravessado pelo Homem. O Círculo de Gwenved, da beatitude, onde cada estado deriva e nasce da vida, também atravessado pelo Homem. 19. Existem três necessidades primordiais e pré-existentes a todas as demais, que devem necessariamente agir antes que o indivíduo atinja a plenitude do Conhecimento: Atravessar o Círculo de Abred em todas as suas modalidades. Atravessar o Círculo de Gwenved. Lembrar-se de todas as coisas ao longo do Círculo de Anwn 20. Existem três contatos necessários com o Círculo de ABRED: Transgredir as regras e libertar-se da fatalidade. Despojar-se do mal e da corrupção por meio da morte. Aumentar a sua própria bondade e o princípio de sua personalidade, despojando-se do mal e libertando-se pela morte. E essas três coisas só podem ser alcançadas pelo Amor Infinito de Deus, que necessariamente conserva o que Ele criou. Uma leitura atenta às passagens acima nos reporta imediatamente à idéia da existência de Três Mundos, separados entre si pelos abismos aos quais estamos nos referindo, acrescentando propósito a cada um, tomando como referência uma tradição ocidental, uma vez que a Cabala (de onde provém os conceitos emitidos sobre a Árvore da Vida) possui raízes em culturas muito diversas daquela de boa parte de nossos ancestrais. O Véu de Paroketh é portanto o Mundo Solar (com centro no Sol) ou o Círculo de GWENVED, que envolve o Círculo de ABRED. A representação corriqueira do Arcano do Sol possui três planos de imagens:
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As crianças, um menino e uma menina, celebrando a sua união e alegria. Um muro ou véu, que representa a distância que os separam do plano divino. O Sol, com doze raios, correspondendo aos signos do Zodíaco. Na Árvore da Vida, adoto o Caminho Impulsionador de Vida para este Arcano. Nele ocorrem os processos alquímicos de transmutação da personalidade. É o caminho do segundo nascimento, a partir do qual novas ações são empreendidas de acordo com os padrões espirituais que o carma pessoal lhe permite. Aqui, o indivíduo se depara com a visão do Arco-Íris da luz espiritual que lhe permite ser o Senhor de Si Mesmo. Porém, o objetivo deste caminho é a total conscientização da Consciência Crística. Lida com a aspiração do Eu de reconciliar a individualidade com a personalidade (parábola do filho pródigo). Trata de uma experiência de perfeição difícil de ser conquistada, mas que deve ser perseguida com toda a intensidade do desejo, tornada vontade através das mais puras aspirações da alma. Ou seja, atravessar GWENVED. A letra hebraica associada é samekh. Esta letra representa o círculo ou a serpente que morde a própria cauda (alimenta-se de sua própria substância). Por isso mesmo, sugere o retorno cíclico que mantém os planetas em suas órbitas e também, o equilíbrio entre as etapas de cada encarnação. Portanto, o Véu de Paroketh tem por finalidade estabelecer uma espécie de fronteira indelével entre o plano divino e o mundo das ilusões. Esta função encontra paralelo na tradição celta, uma vez que a estrutura da Criação e o significado de AWEN encontra nítidas semelhanças em várias outras culturas.
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O Arcano do Sol é aquele que melhor representa os conceitos aqui enunciados, especialmente aqueles que retratam o desejo do ser de se elevar aos planos divinos, libertando-se da roda das encarnações, à medida que se funde à experiência das manifestações superiores de Deus. E, por fim, a imagem deste Arcano contém em si o dito véu ao qual nos aludimos, reforçando sua posição no caminho da Árvore da Vida que liga a 6ª à 1ª esferas ou, diretamente ao Criador.
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