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TUATHA DE DANANN

Os meios de comunicação estão cheios de notícias que só nos tornam mais inseguros e acabrunhados.

Por esta razão, resolvi voltar muito distante no tempo, a um período de nossa humanidade em que o mítico, o lendário e o histórico se confundem nas brumas do tempo e da consciência, em busca de paz para o coração.

Tratarei um tema que se mistura com a própria formação do povo celta: a mitologia da formação da Irlanda.

Eles se dizem originários de um povo chamado Tuatha de Danann (o povo da deusa Danu). Eram provenientes da distante e mítica Hiperbórea, com quatro cidades principais: Falias, Gorias, Murias e Findias, nas quais aprendiam ciências e magia bem como, a aplicação prática de ambos os princípios por meio da instituição do que mais tarde viemos a conhecer por druidismo.

De cada uma dessas cidades mágicas os Tuatha Dé Danann trouxeram um tesouro:

  • Falias: Lia Fáil, a "Pedra do Desstino", onde eram coroados os reis da Irlanda. Era uma grande pedra em formato de coluna que simbolizava a própria Terra, cujo poder só era compreendido pelo verdadeiro Rei.
  • Gorias: Gáe Assail, a "Lança de AAssal", que seria de Lugh, e retornava a mão após ser lançada (associada ao elemento Fogo).
  • Murias: o Caldeirão de Dagda, chamado o "Inesgotável", recipiente que continha a água, fonte de toda a vida (protótipo do Graal).
  • Findias: a espada inescapável de Nuadaa (associada ao elemento Ar).

    A Hiperbórea é um dos principais mitos europeus: um lugar de sabedoria e paz, origem mítica do primeiro homem branco, estabelecida em algum lugar do norte do mundo. Tratava-se de um paraíso mágico e melancólico cujo povo não teve outra solução que abandoná-lo e seguir para o Sul quando grandes cataclismos mudaram o eixo da Terra e transformaram o mundo alegre e fértil num charco árido e coberto de gelo.

    De todo modo, a lenda nos conta que eles chegaram nas festividades de Beltane, em 1º de Maio. Existem várias versões para a sua chegada, inclusive que tenham vindo do céu. O denso nevoeiro que se seguiu à sua chegada pode ser por terem ateado fogo aos seus navios de modo que não tivessem como retornar.

    A princípio, foram comparados a deuses. Diz ainda que o denso nevoeiro era para que os Fir Bolgs (habitantes anteriores) não notassem a sua chegada e, as tempestades que se seguiram, era para que os nativos se mantivessem abrigados durante três longos dias.

    Com o passar do tempo, os dois povos se encontraram, começando as disputas e combates que subjugaram os Fir Bolgs.

    Os Tuatha de Danann governaram a Irlanda entre 1897 e 1700 AC.

    Bress foi o primeiro rei dos Tuatha, seguido por Nuada e por Lugh. Bress encontrou dificuldades para governar porque o povo se encontrava faminto e os campos, desertos. Nuada combateu os Formorianos, povo ainda mais antigo que habitava as Ilhas Hébridas, morrendo numa das batalhas, da qual Lugh saiu como herói.

    Depois de Lugh, tivemos Dagda e seus três netos, quando ocorreu a invasão dos Milésios. Os combates que se seguiram trouxeram uma grande derrota para os Tuatha. O Milésios, no entanto, tinham grande admiração pelas habilidades dos Tuatha e permitiram que ficassem na Irlanda, desde que ocupassem os Mundos Subterrâneos, quando surge a lenda que se refere a eles como o povo das fadas, gnomos e duendes.

    A chave deste povo estava em sua relação harmoniosa com os Quatro Princípios ou Elementos e a Natureza de forma integral e viva. As impressões que nos causaram estão fortemente inseridas em nosso subconsciente, uma vez que muitos de nós ainda cremos em fadas, gnomos e duendes, especialmente quando entramos em florestas mais densas.

    Se os Tuatha de Danann correspondem a um panteão de deuses e deusas antigas, associados às forças telúricas e naturais ou se correspondem a um povo ou nação, pouco nos importa de fato, uma vez que nos legaram uma Arte de grande poder bem como, o amor à natureza como fonte inestimável de cura e transformação. Quando nos aprofundamos deste panteão, encontramos deuses e deusas que se relacionam com a Natureza e o Universo através de uma harmonia estreita:

    Dagda é mestra da magia e da música, possuindo a Harpa de Ouro.

    Lugh governa a ciência e a poesia, entre outras artes.

    Lyr, pai de todos os deuses, associado aos oceanos, é o mestre dos ardis e ilusões, portanto dos sonhos e da imaginação.

    Ogma também é associado à poesia, mas também à escrita oghâmica e às atividades espirituais.

    Brigit é a deusa da inspiração, poesia, da medicina e da metalurgia artística.

    Quando falamos de Arte Antiga, referimo-nos à mais antiga das religiões, aquela que através da ligação cardíaca com a Terra, o Sol e a Lua nos conecta com os deuses e deusas, bem como, com o centro do Universo.

    Se ao menos conseguíssemos ligar o nosso coração à Terra através de alguma religião importante, com toda certeza, acabaríamos tendo notícias melhores na mídia.

    Experimente começar por você.

    Quem sabe não será abençoado por uma fada...

    Henrique Guilherme Wiederspahn, ESQUILO FALANTE


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