Márcio
Salerno
Giancarlo K.
Schmid
Henrique G.
Wiederspahn
Magali P.
Gracio
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Vezzoni
Maria Ana
Labate
Miriam C.
de Almeida




QUALIDADE DOS BARALHOS (E CUIDADOS PERTINENTES)

Algumas pessoas chegam até a mim e me perguntam qual a melhor editora e a qualidade dos decks publicados. Devido à tecnologia hoje, praticamente todas editoras melhoraram a resistência e durabilidade de seus baralhos, com a exceção (infelizmente) dos países de terceiro mundo que ainda deixam a desejar (devo citar o Brasil aqui?). Basicamente, há quatro grandes editoras responsáveis pela edição e publicação de tarôs no mundo:

1) US Games Inc (americana)
2) Fournier (espanhola)
3) AG Müller (belgo suíça)
4) Lo Scarabeo (italiana)

Deixarei de fora menores como a Llewelyn Tarot e Aquarian Press.

Alguns aspectos devem ser levados em consideração para justificar a qualidade dos tarôs:

* PAPEL

A maior parte das editoras trabalha com folhas duplas. São duas chapas de papel sobrepostas e prensadas. Isso evita que as cartas se dobrem facilmente, além de evitar que se rasguem. Alguns baralhos de plástico, é claro, não se valem de tal técnica. Raramente você encontrará cartas de editoras estrangeiras em folha única.

Nesse ponto, apenas as edições bem antigas. Para você identificar a dupla camada, pegue uma carta ou lâmina do seu baralho importado e veja suas laterais: há uma pequena linha que separa as duas folhas.

Outra coisa, normalmente o papel é tratado para receber a impressão. A preocupação dos fabricantes é que o papel seja resistente o suficiente contra umidade das mãos e do tempo. Além disso, que não seja duro que nem papelão, para não atrapalhar a hora de embaralhar as cartas. E que não seja tão pesado ao segurar todo baralho.

Poucas pessoas sabem, mas cada folha de cartas para corte na guilhotina industrial vem com 20 cartas. Ou seja, um tarô compõe-se de 78 arcanos, mas todas editoras usam as 02 cartas extras para colocar o nome da empresa, logomarca, nome do baralho, propaganda, ou símbolos pertinentes. Eles aproveitaram que são 04 folhas para corte e não desperdiçaram duas cartas.

*TRATAMENTO

Há três tipos de tratamentos dados ao papel depois que as cartas foram impressas:

a) Plastificação
b) Enceramento
c) Resinação

O primeiro, considero o pior. Quem aqui já não usou baralhos que com o tempo descascam e ficam soltando "farpinhas de plástico"? Isso ocorre devido à ação física do calor das mãos + umidade + fricção. Então, evite decks plastificados, por melhor que seja a tecnologia.

Você conhece um deck plastificado à distância, eles brilham e são atraentes à primeira vista. Mas, com o tempo tornam-se foscos e descamam, abrindo bolhinhas nas cartas.

Sem falar nas bolinhas de sujeira que os mesmos acumulam. Tenho um Rider que ficou imundo por causa disso, mesmo lavando as mãos (mas, o cliente nem sempre tem o mesmo cuidado). Recomendo evitar os mesmos. A US Games tinha o péssimo hábito de plastificar; acho que depois de tantas reclamações, mudaram o tratamento. Infelizmente, estimo que 30% dos decks ainda são plastificados.

Já o enceramento, é um pouco melhor. Não tem o brilho da plastificação, as lâminas deslizam bem entre elas, mas basta que mude o tempo e essas lâminas parecem grudar. Absorvem a umidade do ar com facilidade. Se você não tiver cuidado com esse tipo de baralho, as cartas abrem pontas. Isso ocorre porque mesmo depois das folhas duplas serem prensadas, o enceramento produz um choque de temperatura que fragiliza a integridade do papel. Algumas cartas podem abrir pontas com facilidade, basta embaralhar com mais força, empurrando as cartas para entrarem no maço. A maioria das editoras usa essa tecnologia, sendo que a Fournier se supera.

Já a resinação... que maravilha! Quem tem o Oráculo Bellini saberá o que estou falando! Enrijece e protege o papel, desliza que é uma maravilha e você pode ainda limpar as cartas com um algodão ou pano macio levemente úmido! Pouquíssimos baralhos são feitos com tal tecnologia, os mais caros provavelmente. A resinação é como um invólucro em torno do papel, protegendo-o do tempo e descuidos do usuário. Todos decks deveriam ser assim.

* IMPRESSÃO

Praticamente todas editoras se superam. Algumas, às vezes deixam a desejar como é o caso da US Games. Alguns baralhos parecem vir desbotados ou com as cores meio fora da figura, mas isso ocorre com as edições mais antigas. A impressão deve ser viva e definida de forma a destacar todos detalhes das figuras.

* CAIXAS

90% dos baralhos possuem caixas de papel. Somente os mais caros é que se dão ao capricho de colocar em saquinhos, caixas de madeira ou forradas com veludo. Um exemplo, o deck Salvador Dali é um luxo só - vem em caixa aveludada, muito bonito. O Tarot of Dreams vem dentro de uma grande caixa, além de um saquinho preto protegendo-o (também um luxo). O Alchemical Tarot, segundo consta, vem em caixa de madeira (não vi ainda). As caixas devem ser atraentes em sua maioria.

Alguns baralhos recebem tratamentos especiais como folhas de ouro, como ocorre no Nefertari Tarot, edição de luxo Visconti Sforza e Russian St. Petesburgh.

* CUIDADOS COM O SEU BARALHO

Se você tem ciúmes (como eu) dos seus baralhos, darei algumas sugestões para que os mesmos durem mais. De acordo com as indicações acima, quanto mais frágil o baralho, maior a necessidade de cuidados.

1) Lave sempre as mãos antes de manuseá-lo e, se possível for, peça para o consulente fazer o mesmo;

2) Seque sempre bem as mãos antes de manuseá-lo;

3) Se trabalha diariamente com tarô, prefira usar um baralho mais modesto do que um caro;

4) Se valha de um tecido macio (seda, algodão, veludo, etc.) para usar como fundo na sua mesa de trabalho;

5) Evite colocar perto incensos (por causa da cinzas), velas (por causa da cera), ou outros produtos que possam cair e macular seu baralho;

6) Ao embaralhar, faça suavemente, tem gente que pega as cartas e as utiliza como estivesse num cassino jogando, outros enfiam com força as cartas no maço empurrando-as para entrar, outros parecem martelar as cartas no maço. Lembre-se: "o baralho é como um passarinho - se você deixa solto demais, ele voa; se aperta demais, ele sufoca". Com paciência é possível embaralhar sem castigar as cartas;

7) Não molhe e nem use produtos abrasivos nas cartas (álcool por exemplo), no máximo um pano levemente úmido;

8) Não plastifique seu baralho de forma alguma - o risco de estragá-lo é alto;

9) Mantenha-o sempre dentro de uma caixinha, de preferência larga e cômoda;

10) Se cair uma lâmina ou o baralho no chão, pegue-o com cuidado, pois há pessoas que amassam ao tirar as cartas do chão fazendo quase um "U" com as mesmas, quando não arrastando-as no piso (argh!) para firmá-las e pegá-las;

Eis algumas dicas para fazer bom uso de seu baralho e escolher o melhor para você. Lembre-se que ele é seu instrumento de trabalho e um deck não é baratinho!

Giancarlo Kind Schmid, CORUJO GRISALHO


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