Márcio
Salerno
Giancarlo K.
Schmid
Henrique G.
Wiederspahn
Magali P.
Gracio
Edna
Vezzoni
Maria Ana
Labate
LINKS




FICÇÃO CIENTÍFICA OU ''FUTURO NEGRO''?

Sou fã incondicional de todos os filmes de ficção científica, passei minha adolescência lendo Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Júlio Verne (que antecipou a viagem do homem à Lua, a criação do submarino, do radar e do uso de plasma como combustível, etc.) , H. G. Wells, George Orwell, etc. e ainda mantenho o hábito, embora menos constante, absorvendo obras de alguns escritores, a citar Zecharia Sitchin, Ray Kurzweil e irmãos Wachowski. Deste último, temos a criação de "Matrix", obra essa que revolucionou tanto o cinema como a própria ficção.

Em todas narrativas, o elemento em comum é a deterioração humana ou o controle das máquinas sobre nossa raça. Se a ficção antecipa a realidade, então nada de bom podemos esperar em relação ao futuro. Não é um pessimismo de minha parte, mas pura constatação. Quando ouço ou leio reportagens falando sobre efeito estufa, contaminação da água e do solo, violência descontrolada, acirramento dos conflitos religiosos, cyber crimes, extinção de espécimes, etc., enfim, assuntos já conhecidos nossos e que, de alguma forma, estão se tornando banais, chego à conclusão que não são os referidos problemas que pontuarão uma crise generalizada e de grande impacto coletivo, mas uma coisa chamada IGNORÂNCIA. Sim, é o desconhecimento do ser humano quanto à sua real natureza e poder de destruição, além do desrespeito quanto à própria Terra, moradia mais importante.

Em todas narrativas de ficção, o futuro sempre é desconcertante, incerto, sombrio. Um futuro dominado por máquinas, determinando o destino da humanidade e decidindo por si só todas escolhas. O cinema lançou ao longo de meio século dezenas de filmes com esse teor, considerando o longa "Metrópolis", de Fritz Lang, o precursor dessa linha de produção. O filme foi produzido em 1926 e mostra um futuro dominado por arranha céus, aviões, onde operários seguem para seus trabalhos, tratados de forma inumana. O criador critica o capitalismo e o ápice da Revolução Industrial, e insere uma personagem "robô" que substitui uma líder que decide por um fim ao monopólio social. A robô perde o controle e passa a semear caos e destruição à sua volta, levando os personagens a uma revisão de posturas e conceitos. O filho do magnata industrial é quem restabelece a ordem.

A obra de H. G. Wells, "A Máquina do Tempo" (livro original de 1895, produzido pela primeira vez para o cinema em 1960, e, pela segunda vez em 2002), trata de um jovem cientista que, ao perder sua pretensa noiva, realiza uma viagem no tempo através de seu novo invento, perdendo controle da mesma e indo parar num futuro longínquo, onde humanos e mutantes disputam territórios. Nesse filme, fica clara a degradação humana.

Temos uma pequena prévia do que viria décadas mais tarde, representadas em outras criações cinematográficas como "1984" de Orwell, "2001: Uma Odisséia no Espaço" de Clarke e "Laranja Mecânica" de Kubrick. Em todas elas, há um sufocamento da liberdade humana e, em alguns momentos, revolta das máquinas. Uma das que mais me marcou foi, por incrível que pareça, "Brazil, o filme" onde o personagem é um funcionário público que vive num "Estado Totalitário", cheio de terroristas, repleto de burocracias (onde tudo é pago, tudo é controlado por computadores e as pessoas são fichadas e dependem de cartão de crédito para tudo), que acaba preso e se apaixona por uma terrorista. A obra faz menção a uma realidade não tão longe da que vivemos hoje, apenas apresenta picardia a temas que povoam os noticiários.

O segmento dos anos 80 a 90 acaba por focalizar mais os ataques de andróides, robôs, computadores que controlam tudo e todos, guerras, depreciação dos hábitos e da moral humana. "Blade Runer" (direção de Ridley Scott), passa a se tornar um expoente nesse tipo de tema, seguido por outras películas como "Mad Max" (cujo lançamento foi em 79, mas ocorreram continuações), "Robocop", "Tron", "O Exterminador do Futuro", dentre outros, onde as máquinas absorvem características humanas destrutivas, como o ato de trapacear, roubar, matar e destruir qualquer coisa à volta. Nos anos 90, as obras enfatizam um pouco mais invasões extraterrestres do que "máquinas assassinas", como podemos ver nos filmes "Independence Day" e "A Experiência". Esse tipo de "terror ficção" culmina no mais recente refilmado "Guerra dos Mundos". Em todos os aspectos, normalmente a humanidade é sacrificada, muitos morrem e diversos danos são feitos ao mundo.

Com a crescente preocupação com as mudanças climáticas e conseqüentes catástrofes naturais (além de ameaças vindas do espaço como meteoros), alguns gêneros ganharam fôlego e bilheterias significativas como os filmes "Impacto Profundo", "Volcano", "O Inferno de Dante", "O Dia Depois de Amanhã" e "Armageddon". Saindo da esfera dos ataques cibernéticos e "robôs surtados", nos deparamos com temas muito mais próximos da realidade que estamos inseridos. O quadro que se apresenta é aquele onde a Terra se rebela contra os abusos humanos.

"Matrix" e "Eu, Robô", retornam ao gênero "máquinas à beira de um ataque de nervos" coroando a categoria, levando a crer que "o futuro é um lugar ruim de se viver". Máquinas ditando as regras, determinando o destino dos homens, algo intimidador. Em "Minority Report - A Nova Lei" temos bem a expressão do homem exorcizado pelos computadores. Quando o filme pende para experiências científicas como "O Homem Sem Sombra" e "A Mosca", alguma coisa sempre ocorre de errado e o criador torna-se escravo de sua criação.

Eu não sei o quanto é salutar, informativo e conscientizador esses tipos de mensagens "jogadas periodicamente no Inconsciente Coletivo". É preocupante o nível de conteúdos subliminares inseridos na mente humana durante décadas. Me dá a impressão que tais obras, se não estão a preparar a atual humanidade para o "funesto amanhã", estão a anestesiar nossas mentes perante os perigos reais e iminentes que nos rondam, como se passássemos a considerar tudo normal.

Será, então, a ficção científica uma emancipação do futuro? Será que algo de bom poderá ser previsto em tais obras? Não podemos ser ingênuos frente aos fatos: as mudanças climáticas estão aí, a nanotecnologia ganha força, mudanças genéticas são feitas em sementes, robôs e computadores estão a substituir a mão de obra humana, robôs com autonomia estão começando a se imaginar...

Ray Kurzweil afirma em seu livro "The Age of Spiritual Machines" que em mais 40 anos os robôs suplantarão a mente humana, analisando-se dados em projeção e escala geométrica, onde hoje ouvimos que os robôs terão "direitos como os de um humano", já que simularão sentimentos (qualquer semelhança com "Inteligência Artificial" não é mera coincidência). Estaremos nós, num futuro próximo, governados pelas máquinas ou destinados a cumprir penalidades devido ao maltrato planetário? Façamos um exame de consciência, pois, como pontua o cyber cientista Bill Joy: " o futuro não precisa de nós"...

Giancarlo Kind Schmid, CORUJO GRISALHO


 volta

® 2008 Arte Antiga - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por InWeb Internet