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![]() Um grupo de figuras se destaca particularmente dentro do conjunto dos Arcanos Menores: os Ases. Falar deles, torna o assunto ainda mais gratificante, pois tenho nessas figuras, uma visão da "vontade de Deus" em sua manifestação. Não é o objetivo aqui adentrar em conceituações filosóficas e, muito menos, teológicas, mas a simbologia dessas figuras vem a retratar como o Universo se manifesta de quatro maneiras. Sempre observei, particularmente quando me deparo com o baralho Rider Waite (e clones), que as figuras dos Ases são acompanhadas por uma mão que sai das nuvens, representando a "Mão do Criador". Intencionalmente, há uma co-relação entre a manifestação de Deus e esses Arcanos, inclusive algumas escolas cabalísticas que estudam também o tarô, associam as 04 letras hebraicas do nome de Deus para cada naipe: IHWH ou IOAH, IEVE ou JAVÉ (temos, assim: Iod - Paus; He - Copas; Vau - Espadas e He - Ouros). O interessante que, teremos o nome formado apenas se juntarmos as 04 letras, assim como Deus é manifesto através dessas 04 principais Leis que regem o Universo. Ou seja, sutilmente só poderemos alcançar a Deus ou à Deusa, se conseguirmos dominar e entender essas Leis. A palavra "Ás" provém do latim, as, assis, que era o nome da unidade monetária dos romanos. Desde então passou aos jogos - através do ponto nos dados - como nome para o número um (a expressão "ser um ás" equivale a ser o número um, ou seja, o primeiro, o melhor em alguma atividade). Geralmente, a ordem das cartas nos naipes é, da maior à menor, a seguinte: as três figuras (rei, cavaleiro e sota, ou rei, dama e valete) e as cartas numéricas em ordem descendente do dez ou do nove ao dois, com o Ás num dos extremos da escala, tanto como carta superior ou inferior. Nos baralhos espanhol e francês, os ases têm o 01 como índice, porém nem sempre seu valor é o da carta inferior do naipe. No baralho inglês, seu índice é a letra A, no entanto, tampouco é sempre a carta superior do naipe. O valor do Ás depende, essencialmente, do tipo de jogo. Comecemos pelo Ás de Paus - seu elemento fogo, chama particularmente a atenção por retratar a luz original. Em alguns textos sagrados, a co-relação entre a gênese e a criação da luz é imediata, daí o surgimento do termo em latim "Fiat Lux!" (Faça-se a Luz!). Certamente, de forma simbólica e análoga, temos no homem a sua luz original através do que chamamos Consciência. Tipicamente, algumas historinhas em quadrinhos ilustram um personagem qualquer tendo uma idéia, insight e entendimento com uma lâmpada acesa sobre a cabeça. Luz e Consciência são elementos da mesma essência, ambas tem como propósito iluminar algo. Por isso, o termo "aluno" (a-lúmen, "aquele que está sem luz", ou seja, consciência) é propositadamente utilizado em nossa língua para designar quem está no processo de aprendizado e, consequentemente, conscientização. A primeira Lei que vemos aqui aplicada é a da Consciência ou Evolução - o seu objetivo maior é retirar o ser humano das sombras da ignorância. Não é à toa que é a primeira Lei, pois, para aproveitamento das seguintes, é preciso Consciência plena. Um dos meios principais para o homem evoluir, certamente, é conhecer - não só o mundo à sua volta, como principalmente a si mesmo. Não existe progresso verdadeiro se essas duas vertentes não se tangirem. Um dos pontos altos dessa Lei é o poder criativo. Na proporção que o homem cria, ele avança e toma consciência de seus feitos e resultados obtidos. O Ás de Paus evoca o poder iniciador, realizador e dinamizador. Através desse princípio, conseguimos obter o sucesso necessário para a superação de nossas limitações ou desafios impostos pela própria vida. A frase de efeito para essa Lei é: "o homem é o que se torna". O Ás de Copas traz consigo a segunda Lei: do Amor - se obtemos a Consciência no primeiro Ás, neste atingimos a compreensão do amor mais puro e verdadeiro. A taça, como símbolo do Graal, evoca a "receptividade da Alma e o Amor dos puros de coração". Essa manifestação transcende toda e qualquer barreira entre credos, raças, línguas, ideologias, classes sociais, idades. Copas é regido pela água, elemento fundamental de sustentação da vida (seja dos seres vivos ou do planeta num todo), que nos serve de espelho (pois nos reflete) e se caracteriza por vários estágios: sólido, líquido e gasoso - isso pode simbolizar que a água tem de estar presente de alguma forma em todos os lugares, assim como o Amor, o mais nobre dos sentimentos. Até mesmo no deserto, lugar onde a água é escassa, podemos senti-la no frio da noite nessa paragem. Um dos poderes da água é sua capacidade de se esquivar dos obstáculos e penetrar em qualquer lugar - assim é a Lei do Amor, cujo coração preenchido pela mesma, é tão superior que supera diferenças e penetra no âmago dos seres. Não é a toa que o símbolo do naipe de Copas no baralho comum é um coração. Aqui se faz presente a vontade do coração e sua capacidade de transformar sonhos em realidade. Parece difícil entendermos o necessário sobre algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo para "nossa natureza ainda primitivista". Sem a Lei do Amor é impossível absorver a essência das demais Leis. Aleister Crowley, em seu "Livro da Lei" já dizia "Amor é a Lei, Amor sob Vontade" - um dos principais magistas do início do século XX deixou-nos essa pertinente frase. Na maioria das tradições religiosas o axioma "amar o próximo" está presente culminando na máxima de Cristo: "o Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei". A frase de efeito é "Amor é a Lei". Já o Ás de Espadas, evoca a Lei de Ação e Reação ou Causa e Efeito - a simbologia da espada, ambígua por natureza, traz dois sentidos - o da nobreza e o da opressão. A lâmina tem fio duplo, e, de certa forma, aponta para duas direções: defesa e ataque. O metal, elemento frio, pede simbolicamente a "frieza de raciocínio" para analisar os fatos. Temos um ponto importante a discutir aqui - infelizmente, esse naipe ainda é deveras incompreendido. Talvez, porque vêm a representar uma arma - mas, vamos explorar um pouco o simbolismo cristão: um dos mais famosos Arcanjos, de nome Miguel, foi responsável pela expulsão dos anjos rebeldes do céu, resultando também na queda de Lúcifer para as profundezas (temos aí a criação do inferno, segundo a concepção cristã). Miguel utiliza todo tempo uma espada, que por sinal, tem analogia direta com a cruz, outro importante símbolo absorvido pelos cristãos. Basta que peguemos a espada e coloquemos sua empunhadura para cima. Era comum alguns guerreiros cravarem sua espada na terra, após a vitória na batalha (simbolizando também a cruz dos mortos). Logo, a simbologia da espada é inevitavelmente associada à milícia, à guerra e, de certa forma, ao sacrifício. Mas, temos outro simbolismo mais elevado para o objeto, se extrairmos algumas coisas da filosofia oriental: a espada kataná, por exemplo, evoca força e poder, e seu desenho curvo, maleabilidade e leveza, vindo a representar a humildade. Parece que temos algumas pistas para entender realmente o que há por trás dessa Lei. Ação e reação são devidamente proporcionais; já é propalada a lei da Física, pronunciada outrora por Isaac Newton: "a toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário" - ou seja, recebemos da vida, exatamente o que depositamos nela. Isso pode parecer apenas aquela velha história sobre Karma, mas não se limita a isso. O homem ainda erra não só pelos seus atos, como também pelos seus pensamentos e paga um preço por isso. E a intenção por trás dos pensamentos define tudo. Podemos entender, a partir daí, que Espadas se torna obscuro pela forma que "brandamos nossos pensamentos, atos e palavras". Podemos ter a guerra se a provocamos, podemos ter a paz, se lutamos por ela. A frase de efeito é "Não faça ao próximo, o que não quer que façam a ti". Já a última Lei, associada ao naipe de Ouros, é a da Opulência, Prosperidade ou Abundância. Nesse sentido, temos que entender que a riqueza aqui pronunciada não se limita ao mundo material. Ouros, como o próprio nome sugere, é o metal de natureza nobre, escasso, objeto da procura do homem ao longo da história, seja dos alquimistas através de suas incríveis fórmulas químicas, seja das antigas civilizações, dando uma projeção especial ao elemento, associado outrora ao sol. Um dos problemas mais comuns na humanidade há algum tempo, é a má distribuição de recursos. É aquela tal história de "poucos com muito, muitos com pouco". O contra-senso está aí. Uma minoria obtém sua riqueza por valer-se de manipulações, ações escusas e imposições de poder. Creio que o Universo nos brindou com uma natureza abundante e todos nós temos direito de usufruí-la. Nós próprios somos produtos dessa natureza - por que então não devemos ser prósperos? A crença na pobreza é uma má interpretação de algumas leituras religiosas. Parece que "só vão para céus os pobres" mesmo. Creio que ter algo implica em responsabilidades. Saber preservar, produzir, gerar, tudo isso está intrínseco. Se tiramos algo, devemos repor. Aliás, o Universo detesta o vácuo. Creio que não é a toa que Ouros e Copas pertencem à mesma letra hebraica (HE) - é preciso amor para saber doar, e, consequentemente receber. Sem parecer redundante, Ouros implica num ganho que provém da capacidade de sabermos compartilhar também. Todo crescimento pessoal depende dessa delicada relação entre "dar e receber" de alguma forma. Ouros também é relacionado ao Pentáculo, à estrela de cinco pontas dentro do círculo, antigo símbolo pagão. Em parte, invoca Afrodite ou Ishtar, deusas associadas ao planeta Vênus; de outro modo, representa o ser humano, receptivo ao Universo (lembram-se do desenho de Leonardo Da Vinci, cujo título é "Homem Vitruviano"?). Esse Ás profere a Lei de compensação máxima, pois o homem toma consciência, ama, distingue, e merece receber por isso! A frase de efeito é "pedi e recebereis". Temos aqui uma pequena noção da representação das principais Leis Cósmicas ilustradas através dos Ases. Precisamos entender que uma Lei depende da outra para perfeito equilíbrio - elas só funcionam perfeitamente se respaldadas umas pelas outras. Só assim poderemos alcançar a magnitude proposta por tais manifestações! E, lembre-se: ao se deparar com um dos Ases numa tiragem de tarô, você provavelmente está sendo chamada a comprometer-se com a Lei relacionada ao naipe em questão. Consulta: Coleção Naipes - "Naipes Fournier" - Edições Altaya
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